Apresentação

Roberto Reis

Resumo


Esta edição da Inovcom é pequena mas significativa. Os artigos submetidos provêm de várias instituições brasileiras, o que denota a pluralidade da revista e, também, reafirma a proposta da Inovcom.

Em - Internet como esfera pública -, Jany Carla Arruda, Maria Jany Carla Arruda da Silva, Maria Aarecida Barros Vágula, Laysa Maria Moraes, Josiane Silva dos Santos, do Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), buscam a intercessão entre os âmbitos da filosofia e da comunicação, esfera pública e sociedade em rede, respectivamente, partindo das formulações de Manuel Castells e Jurgen Habermas. As autoras questionam se a comunicação na rede pode se configurar como promotora de um espaço para debates e desenvolvimento de cidadãos mais reflexivos e participativos, entendendo a Internet como locus que melhor favorece o desenvolvimento de cidadãos ativos e críticos, principalmente pelo fato de as possibilidades de emissão informacional inerentes a ela serem potencializadas.

Cinema Interativo: estudos para uma possível proposta, de Denis Porto Renó e Diego Bonilla Castaneda, da Universidade Metodista de São Paulo e da California State University, EUA, respectivamente (ambos membros da Red INAV - Red Iberoamericana de Narrativas Audiovisuales), discutem o cinema interativo, os obstáculos que impedem sua difusão e apresentam dois estudos - um brasileiro e um norte-americano - em desenvolvimento que têm como objetivo a viabilidade de um sistema digitalmente expandido que ofereça ao espectador processos de participação. O primeiro é dedicado a soluções narrativas e o segundo aos aportes tecnológicos.

Juliana dos Santos Padilha, da Universidade de Marília, traz - Ensaio sobre a cegueira: uma metáfora da linguagem e da comunicação hipertextual do ciberspaço -. A autora demonstra como a obra de José Saramago, com uma trama sem referências de tempo e espaço e uma linguagem que mistura diferentes vozes à de um narrador, pode ser uma metáfora da comunicação interativa e coletiva do ciberespaço, os quais também podem apresentar as características de atemporalidade e polifonia. O texto aponta relações de semelhança entre o enredo e a linguagem da obra e a comunicação da Internet, representada pelos textos configurados em hipertexto ou por qualquer texto que represente um esforço de comunicação e pela construção de identidade individual e coletiva implicada neste processo.

Comunicação alternativa entre os indígenas de Dourados/MS: mobilização social ou interferências nas hierarquias comunicativas, de Maria Alice Campagnoli Otre, mestranda da Universidade Metodista de São Paulo, apresenta resultado parcial de estudo de caso em que Otre analisa a comunicação popular-alternativa trabalhada por jovens indígenas das aldeias do Jaguapiru e Bororó, ambas da cidade de Dourados/MS. A autora procura entender qual a função da comunicação alternativa desenvolvida pelos jovens indígenas, num processo em que sua ação interfere nas práticas comunicativas tradicionalmente hierarquizadas pelos indígenas e ressemantiza as culturas e tradições dessas comunidades.

Em - Apareço, logo existo: a revista Sou+Eu sob a ótica da obra A sociedade do espetáculo -, Ada Caperuto, Ana Paula Casagrande de Oliveira, Daniela Beneti, Fábia Yoshida, Flávia Negrão, Maira Rita Begalli Nunes e Ricardo Filinto, da Fundação Casper Líbero, buscam estabelecer paralelo entre a obra de Guy Debord a revista Sou+Eu, publicação da Editora Abril. O enfoque é o cenário social atual: uma sociedade dominada pela ilusão das aparências, na era do - sou visto -. Um olhar que ao mesmo tempo em que envaidece e exalta, pune os seres-imagens não enquadrados na lógica do espetáculo.

Daiana Stasiak e Eugenia Mariano da Rocha Barichello, da Universidade Federal de Santa Maria demonstram, em - Midiatização e comunicação organizacional -, como modelos lineares e instrumentais predominam nos estudos teóricos da comunicação das organizações, o que não contempla a sua inserção em uma sociedade mais complexa. O ensaio teórico visa retomar conceitos funcionalistas com intuito de demonstrar que sua utilização não é mais compatível com o modelo social vigente, que tem a midiatização como um processo de referência e no qual a internet traz fluxos de comunicação e patamares de interatividade compatíveis com a atualização das práticas comunicacionais.
Esperamos que o leitor aprecie - no melhor sentido da palavra - estes textos e que se cumpra, mais uma vez, o propósito da comunicação da pesquisa: o de compartilhar resultados e submetê-los a outros olhares para que se avance dentro do campo da comunicação.

Boa leitura e aguardamos outras contribuições.

Roberto Reis

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