A DÉCIMA-OITAVA

Sônia Caldas Pessoa

Resumo


Quando dezembro chegar estará entre a nós a necessidade de fazer um balanço anual e refletir sobre o que conseguimos realizar, as conquistas alcançadas, os problemas experienciados e os fracassos que insistiram em nos surpreender. O mês de dezembro é o tempo para celebrar e pensar em resoluções e compromissos para um ano próximo melhor e, em especial, em como nós podemos ser pessoas melhores.

 

Em 2020, a intensidade do que vivemos nos impõe ainda mais a responsabilidade de avaliar o que passou e de refletir sobre o que virá. Encerramos os trabalhos de 2020 com a última edição do ano da Revista Brasileira de Iniciação Científica em Comunicação (INICIACOM). Esse número traz sensações especiais para a nossa equipe por vários motivos.

 

O primeiro deles diz respeito à manutenção da Iniciacom em um ano tão desafiador, que nos impôs restrições de isolamento social, ameaças à nossa saúde e desemprego, entre tantos outros problemas que atingem milhares de brasileiros. A pandemia de Covid-19 expôs ainda mais as desigualdades sociais no país, tornou evidente o medo da morte para a maioria da população e nos alertou para a urgência de olharmos para dentro de nós para entendermos o que se passa lá fora e, em um movimento inverso, olhar o exterior para compreender o que há de humanidade em nós. Manter uma publicação científica voltada para estudantes, com três edições anuais, foi um sopro, um apego e um carinho aos alunos e orientadores que se mantiveram firmes e se dedicaram à pesquisa em situações delicadas nas quais a fragilidade da nossa existência por um lado potencializou e por outro dificultou o trabalho de nós todos.

 

O segundo motivo que torna essa INICIACOM especial é o comprometimento dos avaliadores voluntários, que apreciaram os textos aqui publicados. Contar com profissionais competentes, preocupados com a qualidade científica e que demonstram cuidado diferenciado como merecem nossos jovens pesquisadores nos dá a certeza de que o investimento que a Intercom faz na INICIACOM diz de um acreditar no futuro da ciência ainda que, em muitos momentos, ela seja tão questionada por aqueles que ainda precisam encontrá-la com a dignidade que ela merece.

 

O terceiro e último motivo deixarei para o final do texto, após a apresentação dos trabalhos da décima-oitva INICIACOM. O tema do 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2020), que será realizado de 1º a 10 de dezembro em formato virtual, com o apoio institucional da Universidade Federal da Bahia (UFBA), “Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia” é um chamamento à reflexão científica acerca da zona cinzenta entre extremos na qual nos encontramos.

 

Esse chamamento foi atendido pelos estudantes e seus orientadores, que nos brindam com 15 textos instigantes, sendo 14 artigos e uma resenha, que nos provocam em pensamento e ação. Vocês terão o prazer de conhecer: 1) “O Vazio Existencial na Era do Excesso de Informação Midiática”, de Giovana Godoi e Ana Clara Colemonts; 2) “Instagram como meio contra-hegemônico no processo de enfrentamento das assimetrias sociais”, de Bruno Pinheiro Da Silva e Sara Larissa Xavier Pereira, 3) “Projetação de um leiaute padrão para cartazes de popularização da ciência”, por Jamir Gonçalves Ferreira e Cláudia Regina Ziliotto Bomfá; 4) “Pautas de ciência no fact-checking: análise da abordagem dos projetos Lupa e Aos Fatos”, por Diogo Hirtsch Bugalho e Larissa de Morais Ribeiro Mendes; 5) “Veículos de Jornalismo Internacional no Brasil: uma nova modalidade jornalística”, de Mayara Souto Collar e  Ada C. Machado da Silveira; 6) “Uma Análise Semiótica, Discursiva e Argumentativa sobre os Discursos Contrários aos Direitos Humanos e à Diversidade Sexual em Comentários de Portais de Informação”, de Leandro Lima Ribeiro e  Clebson Luiz de Brito; 7) “Distopias e Afetos: Years and Years e Crises que Moldam o Tempo”, por  João Victor Tourinho; 8) “Afetividade Lésbica Negra: A falta de representatividade do relacionamento entre mulheres negras nas telenovelas da Globo na década de 2010”, por Rebecka Kelly de Santana Santos; 9) “As Mulheres nas Partes Técnicas do Cinema: uma análise dos últimos sete anos do Oscar”, de  Milena Bento e  Kátia Zanvettor; 10) “A estética da podosfera brasileira: Os devires e atualizações de uma comunidade sensível”, de Luan Correia Cunha Santos; 11) “A comunicação pública do mandato da deputada federal Sâmia Bomfim”, de Kallany Ruiz de Souza e  Carlise Nascimento Borges; 12) “Saindo do Armário: Representação LGBTQ em anúncios entre 2013 e 2019”, de Carlos Girão e  Rafiza Varão; 13) “Negócios de Impacto: Uma análise societal no desenvolvimento afrodiaspórico”, por Farlley Santana Pereira; 14) “A Rua Fala – Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo: Relações entre expressão via interações visuais urbanas, processos sócio-culturais e morfologia urbana”, de Juliana Leal Alvim,  Laura Rodrigues Furtado e  Ursula Betina Diesel; e 15) “O Jornalista em sua Plenitude: Uma Resenha sobre a Obra de Joseph Pulitizer”, de Ytalo Silva Cantanhede e Alfredo Eurico Vizeu.

 

Se 2020 nos desafiou em muitos aspectos, esses textos nos desafiam a refletir sobre a diversidade humana e a importância da pesquisa científica para a compreensão de tantos atravessamentos que se fazem presentes na sociedade e suas diversas implicações na vida individual e coletiva.

 

Bem, o terceiro motivo para que essa INICIACOM seja especial é que por aqui me despeço de vocês, leitores, autores, avaliadores, conselheiros científicos e toda a equipe que, nos últimos três anos, estiveram junto comigo em todo o processo de produção da revista. Sabemos bem que editar uma publicação científica é algo como abrir caminhos para fazer brilhar as vozes de quem pesquisa e iluminar as mentes de quem lê. E para tal, o espírito e a dedicação coletivos são fundamentais; não se concebe uma revista em vôo solo. Tampouco se colhem os resultados sozinha.

 

Com gratidão pela companhia, escuta e presença, desejo uma ótima leitura e um 2021 de paz, harmonia e saúde a todos nós!

Sônia Caldas Pessoa


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